No dia 30 de Junho, pelas 18:00, na cidade de Braga, voltarei a fazer nova apresentação pública do livro Pacto de Silêncio no Museu Nogueira da Silva. Quem puder estar presente, por favor, será um prazer recebe-las
Muitas vezes me questionam pela aquisiçãoda obra, este dia estará disponível para venda, também. Conto com vocês!
PAIS & FILHOS ensina como lidar com a perda de um bebê na gravidez Mônica Figueiredo e Elisa Marconi discutem esse tema delicado com Maria Manuela Pontes, uma portuguesa que perdeu dois filhos na gestação e descobriu uma nova maneira de encarar o trauma: http://www.territorioeldorado.limao.com.br/player/player2.htm
Hoje, depois das 16:00, vou estar aqui - no programa da Fátima Lopes - Vida Nova. Falarei da minha experiência enquanto mulher que perdeu 2 filhos e do livro "Maternidade Interrompida". Conto com vocês do outro lado do ecrãn
O Projecto Artémis vem, mais um ano, promover a sensibilização à Perda Gestacional num dia que merece ser festejado e dignificado por todas quantas já geraram, carregaram e guardam nos seus corações filhos que partiram cedo demais. O Dia da Mãe festeja-se este ano a 2 de Maio de 2010, um domingo.
Desta forma, gostaríamos de iniciar a movimentação para esta campanha de sensibilização. À imagem destes últimos anos, pretende-se lançar balões aos céus num gesto de carinho e de perpetuar a memória dos nossos bebés. A campanha de sensibilzição está aberta a nível nacional e Brasil.
As cidades interessadas em colaborar neste evento deverão inscrever-se junto da associação (Fórum ou por e-mail).
O procedimento é simples. Bastará que escolham um local para o lançamento dos balões, de forma a que as pessoas se possam lá dirigir com o(s) seu(s). A hora será comum a todos os locais. Recordamos a cor dos balões:
Azul - Perda de um bebé menino Rosa - perda de um bebé menina Branco - Perda de um bebé cujo sexo ainda era impossível identificar
A hora nacional oficial será às 16:00. No Brasil, o Dia da Mãe festeja-se a 9 de Maio, mas a hora manter-se-á.
"A perda gestacional é tema do livro escrito por Maria Manuela Pontes, presidente da Artémis. Manuela reuniu depoimentos de diversas mulheres que tiveram a gravidez interrompida, que tiveram de enfrentar as perdas para conseguirem tentar, novamente, concretizar o sonho da maternidade. José Luiz Menegatti recebeu nos estúdios da Jovem Pan, São Paulo, Maria Manuela Pontes, autora de "Maternidade Interrompida - o drama da perda gestacional". In Jovem Pan
Entrevista no Jornal Folha de São Paulo. Por algumas dificuldades técnicas com estas tecnologias, o artigo não se consegue ler, no entanto, se estiverem interessados na matéria da entrevista, basta que me digam que envio por e-mail.
-Entrevista na rádio USP às 18:30 (hora do Brasil) 21:30 hora portuguesa. Site de acesso: http://www.radio.usp.br/ - Entrevista na rádio Jovem Pan 22:40 (hora do Brasil) 1:40 a.m hora portuguesa. Site de acesso: http://jovempanfm.virgula.uol.com.br/
Hoje, às 16:30, embarco para São Paulo. Uma viagem que guarda uma missão de vida. Assim que coloque os pés no chão, dou novidades e partilho a agenda de eventos que me está destinada. Torçam por mim!
"O dia internacional da mulher é um dia em que prestamos homenagem às mulheres. É uma mensagem ao mundo todo. O dia da mulher é uma homenagem às mulheres que lutaram e ainda lutam pelos direitos igualitários. No decorrer da história da humanidade, muitas mulheres desejaram, buscaram, lutaram e em muitos casos foram punidas por desejarem igualdade. Às vezes a mulher foi ouvida, mas infelizmente, muitas vezes ela fora silenciada." In uniflores.com
Vamos começar pelo fim desta citação - muitas vezes ela fora silenciada - a mim parece-me intemporal no que respeita à problemática da Perda Gestacional. O silêncio ou a impossibilidade de não nos permitirem falar é brutal nesta sociedade. Um exemplo disso, foi agora a tentativa de estarmos a realizar uma campanha de sensibilização em dois locais públicos, especificamente na cidade de Braga, que passo inclusive a citá-los: BragaParque e MinhoCenter.
Muito gentilmente afastaram-nos das suas imediações e o sentimento que me invade é parecido a algo como repugnância. Infelizmente, quando me convenço que demos passos largos na sensibilização de algumas entidades cujo lema é "responsabilidade social", a realidade abana-me e ridiculariza todas as minhas maiores verdades. Continuamos na idade da pedra neste aspecto e um enorme muro de Berlim impera entre a nossa associação e o mundo lá fora.
Não nos querem por perto, fazem-me sentir como se fossemos autênticos transmissores de alguma epidemia e a sensação que me resta, cá dentro, é a de impotência... não gosto da palavra "armas", mas não as temos para combater este tipo de situações.
A associação apenas pretendia, neste dia, chegar a quem nos procura, mas apenas não sabe que existimos. Apenas queríamos um espaço para distribuir um sorriso e informar de que existimos, mas ... fomos silenciadas.
Assusta- me achar que podemos continuar a sê-lo ... assusta-me que esse quebrar do silêncio seja restrito a um espaço de aluguer, cujas multas se façam sentir sempre que o ultrapassamos.
E sinto muito ... muito mesmo, pela quantidade de mulheres que não vamos poder apoiar, só porque uma outra mulher/homem, cujo "poder" lhe permite dizer sim ou não, nos silencia e afasta de uma missão.
Às vezes, quando utilizo a palavra vergonha, para exprimir o que muitas mulheres sentem quando são albarroadas por este drama nas suas vidas, utilizo-a com tantas reservas que não imaginam ... mas se todas as outras pessoas a sentem, como é que nós a podemos evitar. Hoje, sinto vergonha também ... por ser invadida por uma expressão de piedade, porque fico com a prespectiva de que estamos a mendigar algo que não merecemos, quando é um direito nosso - direito à expressão, à compreensão, à dignidade. Mas, em contrapartida, fazem-nos sentir como mendigas, perdidas num dram a, que se convencem que é nosso; ignorantes profundos que não vêm como podem ser apanhados, um dia, neste enredo.
É difícil este confronto, para mim é castrador, perceber como a Perda Gestacional é menosprezada, perceber como algumas entidades do nosso país simplesmente decidem quem é melhor estar ou não estar na vida dos cidadãos.
Continuamos acreditar em nós, apesar de pequenas porções de gente manifestar dúvidas; continuamos a ultrapassar barreiras, apesar de partículas sociais incutirem importância relativa ao que tentamos mudar; Continuamos a insistir em ter voz, apesar dos silêncios que os Outros permitem que cresçam.
Este ano, a associação não estará fisicamente numa campanha nacional, mas os nossos filhos também não crescem fisicamente num espaço material, mas não deixam de existir e mover atitudes.
Anseio pelo momento, pelo dia ou hora em que esse mundo lá fora, que sublinha uma realidade paralela à da per da Gestacional, se dê conta que afinal vivemos todos na mesma dimensão e que todas as pessoas anónimas, que se passeiam pelos locais, que hoje nos impediram de estar, possuem uma vida regida pelas mesmas circunstâncias e leis naturais e que mesmo conhecedores da máxima que diz: "não acontece só aos outros", a ignoram levianamente.
A todas as mulheres, especialmente às mulheres-mães de filhos que partiram cedo demais, a minha maior homenagem por tudo o que construiram em cima do destruido.